16 – Fabiana Faleiros

Encontro Fabiana antes de uma palestra sobre anarquismos no Capacete, Glória. Ela tem dois sonhos e não sabe qual me contar. Tem um que é froidiano e tem um outro… Sugiro que tire uma carta do dia para decidir. Ela tira a carta “árvore” e exclama que o outro sonho é o da árvore.

… ela está na janela do quarto, no quarto andar onde a copa da árvore a protege do barulho dos carros. A árvore começa a crescer. entra por dentro do prédio em frente e sai pela janela do outro lado. as folhas viram centenas de tesouras muito pequenas se movendo freneticamente. na ponta da árvore surge uma grande tesoura que corta o asfalto da rua. e segue cortando até que vira a esquina e sai do seu campo de visão…

Fabiana conta que antes de dormir tem meditado imaginando que o asfalto some e que as ruas são de terra.

15 – Marcio Botner

Marco encontro com Marcio em sua sala no Parque Lage. Ele diz que tem uma relacão forte com sonho. Que sente que sonhos são por vezes curativos. Que já acordou suando como se estivesse com febre. Que os xamâs indígenas consideram sonhar um trabalho. Que muitos trabalhos que fez com sua dupla Pedro Agilson vieram de sonhos seus. Mas teve um sonho que não fizeram…

…era uma encruzilhada no saara, centro do rio. muita gente circulando. ele vinha andando todo de uma cor só, rosa por exemplo. esbarrava em alguém e a pessoa também ficava toda rosa. e em cada pessoa que encostava ia ficando da mesma cor. depois vinha alguém de outra cor, verde por exemplo. quando esbarrava em alguém os outros também ficavam verdes. e depois outra cor e outra. assim as pessoas iam mudando de cor na encruzilhada. todos eram emissores e também receptores…

14 – Bia Medeiros

Eu estava no Posto 9 em Ipanema, quando vejo Bia Jogando frescobol na beira do mar. Vou falar com ela que não me reconhece a princípio. Já havíamos trocado mensagens sobre o materializador no fim do ano passado.

… ela está viajando em uma cidade que não conhece. é uma casa de vários cômodos, uma pousada parecida com uma que ficou em caraíva. um senhor já de barba branca também está hospedado ali. é uma pessoa muito importante, um líder espiritual indiano, um guru ou um deus. ele tem problema dos dentes e precisa encontrar um dentista. os dentes são todos pretos e tortos. ela é a responsável por conseguir o dentista do sábio. é uma urgência e como não conhece a cidade fica nervosa no telefone tentando encontrar uma solução. sente a responsabilidade por ser uma pessoa tão importante …

13 – Rodrigo Braga

Encontro com Rodrigo no Parque Lage. Ele conta que se prepara para retirar palmeira mortas que usará na sua exposição. conversamos brevemente. Ele pergunta do tarô. Digo que estou novamente materializando sonhos. Lembro que sonhei com ele a poucos dias. Pergunto se ele não tem um sonho para me dar. Rodrigo diz que sonha pouco, mas tem um que sonhou recentemente.

… ele está no mar. vê a terra ao longe. coloca alpiste em um marco miniatura. perto dele passa um enorme navio cargueiro. a agua tremula. ele o o barco com alpiste sobem e descem na ondulação feita pelo navio. ele tem medo. o cargueiro passa muito perto, mas logo se vai e fico tudo bem …

12 – Bernardo Mosqueira

Eu já havia convidado bernardo a dar um sonho fazia algum tempo. Nos encontramos em uma abertura de exposição.

…um vento bateu em seus cabelos que ficaram de repente lisos. ele amassava o cabelo com as mãos para ver se os cachos voltavam. mas o vento vinha e o cabelo ficava totalmente liso de novo. ele queria seus cabelos de volta. os cabelos não muitos longos batem nos olhos. ele desesperado por estar perdendo algo muito fundamental repete para si mesmo: eu sou preto, eu sou preto, eu sou preto…

Diz que era uma sensação estranha de perda de uma parte de si, uma parte das suas possibilidade de ser. Coloca as mãos nas cabeça demonstrando o gesto e acha graça de si mesmo.

11 – Ivan Grilo

Encontrei com Ivan na cobal do humaíta. Ele estava de passagem e marcamos de encontrar para ele me contar o sonho. sentamos em um bar. Peço um suco e ele um mate.

… ele está dormindo em casa. ouve um grande estrondo. corre para a cozinha para ver o que tinha acontecido. os azulejos de descolaram da parede em enormes placas que agora ficam apoiadas no em pé encostadas na parede. por traz dos azulejos grande e bejes que havia na cozinha se revelaram azulejos menores de um azul turquesa intenso e muito bonito. na cozinha curiosamente não havia nenhum móvel, nem fogão ou geladeira, apenas esta exposição de placas de azulejos…

Ivan gosta do sonho não ter uma narrativa, ser só uma imagem. Diz que os azulejos descolados ficavam como os vidros que usa em alguns trabalhos apoiados na parede e no chão ou em uma prateleira e que depois lembrava também trabalhos da Adriana Varejão. Só que sem carne.

10 – Bete Esteves

Com Bete marcamos um encontro no skipe. Ela conta que não costuma lembrar de sonhos, mas que justo alguns dias depois de encontrar comigo (e eu pedir o sonho) ela tinha tido um bastante nítido:

… um corredor longo de um aeroporto. uma velha empurrando um carrinho de malas sai de uma sala. tem um patins na mão. bete ajuda a senhora empurrando o carrinho ao longo do corredor. depois volta para a sala de patins deslizando pelo corredor. dorme e acorda. no mesmo corredor acha sua mala retorcida. dentro da mala não tem roupas, apenas livros…

Bete diz que gosta da velha ir embora e voltar de patins. Disse que é a velhice indo embora e ela curtindo os patins. Ri. Fica feliz que na mala só tinha livros!

9 – Camila Pitanga

Escrevi para Camila nas redes sociais. Ela respondera que estava em uma entre safra sonhos e ficamos de nos falar quando ela tivesse um sonho.

Um dia, acordo com esta surpresa na minha caixa de mensagens.

fiquei na dúvida quanto a transcrever aqui o texto. acabei decidindo por postar o audio integral.

 

8 – Pedro Rocha

Encontrei Pedro no Parque Lage. Assistimos juntos a uma apresentação de música experimental. Eu estava com meu filho que achou que era muito barulho. Então saímos e caminhamos em torno do chafariz. Pedro me conta que…

… ele vinha de caro por uma rua estreita de mão dupla ao lado da praia. era uma praia muito longa como uma restinga. era rio de janeiro, só que um lugar desconhecido que ele nunca tinha ido. talvez a restinga da marambaia. ele procura pela filha na areia sem encontrar. a praia está cheia de gente ele segue até chegar a uma zona de pedras no canto da praia. um lugar que lembra a ilha grande. só que não encontra a filha. algo diz que ele tem de voltar. já está cansado. o sol é forte. já é incomodo caminhar na areia. volta para o carro na mesma rua. e segue até encontrar com uma enorme geleira que interrompe a estrada. a geleira era enorme, sua altura ia além do que se podia ver. era o fim…

Pedro diz que este sonho é impactante pelo tamanho da geleira e pela certeza de que aquilo era o fim. Diz que não sabe porque sonha tanto com praia, com mar, pois nem vai muito a praia.

7 – Tuan Pravaz Damasceno

Acordo e me ponho a anotar sonhos-pistas no caderno. Tuan, meu filho de cinco anos, entra no quarto e quer falar comigo faço sinal para que espere. Ele se senta ao meu lado paciente. Quando termino de anotar olho para ele e dou bom dia, pergunto se está tudo bem. Ele diz que agora é sua vez e pede que eu anote o sonho que tivera.

 … eu, ele e jaya estávamos brincando nas estrelas. nossos carros eram de estrelas cadentes. tinha uma cabine para que não cairmos da estrela. tinhas golfinhos espaciais em torno de nós. a escola onde aterrizamos era um mundo, terra das estrelas coloridas. mergulhamos com a nossa casa estrela na piscina e flutuamos. saindo da piscina tinha um canalzinho que levava de volta para a terra…