Chuva de estrelas

Algumas coisas que aprendi com o livro que o Cabelo me indicou, Chuva de estrelas de Peter Lamborn Wilson.

  • O livro dos sonhos mais antigo que se tem notícia foi escrito na Suméria 3.000 a.c.. Um certo Gudea, Alto sacerdote de Lagash recebe em sonho a tarefa de construir um templo.
  • Os sonhos foram escritos em placas de argila ficavam reunidas nas bibliotecas da Mesopotâmia, edubba, que significa literalmente “casa de placas”.
  • A deusa padroeira das edubbas e da escrita era Nidaba e a deusa que interpretava sonhos se chama Nanshe.
  • A escrita é uma maneira de pensar que consegue separar as coisas de sua imagem. Assim com os sonhos são claramente separado das coisas reais. Sem sonho não haveria escrita. Foi o sonho que ensinou a separar a imagem da sua estrutura imediata de materialidade, o duplo da imagem, e finalmente vê-la como símbolo.
  • Com a invenção da escrita começou-se a se tratar coisas como se fossem palavras. É possível “ler” o mundo e interpretá-lo como premonição.
  • Na Suméria, havia uma casta de sacerdotes interprete de sonhos. Todo acontecimento poderia ser um presságio, porém os sonhos tinham um privilégio sobre outros presságios por serem mais fáceis de interpretar.
  • O alfabeto é o cosmos, como sabem os cabalistas, assim sendo, as letras são “imagens” de realidades celestes e arquétipos universais e não meros sinais e fonemas abstratos. Alfabeto e estrelas são dois aspectos de uma só coisa, que é “tudo” em sua unidade essencial e multiplicidade imanente. E o sonho é um local privilegiado dessa identidade, que, em sua natureza, é erótica e fantástica.
  • Uma vez que o sonho é contado, o texto e sua materialidade passa a substituir o sonho.
  • Sonho, anjos, estrelas, livro são “um”, ou, de certa forma intercambiáveis ao mesmo tempo que são autônomos entre si.
  • Maomé recebeu o Alcorão em sonho que foi escutado antes de escrito. E diversas tradições se utilizam do sonho como principal acesso ao divino.
  • É possível encomendar um sonho. Ou pedir para que algo seja revelado, ou uma pergunta respondida através do sonho.

O livro é incrível e compara uma infinidade de rituais sufis, taoístas, judaicos e de outras tradições. Eu fiquei especialmente feliz por perceber que o Materializador está intrincado em uma longuíssima tradição. Na Mesopotâmia, já haviam placas de argila que descrevem sonhos trazendo premonições. Ficaram muito presentes os nomes das deusas Nanshe e Nidada e do sacerdote Gudea. Os nomes ficaram girando na minha cabeça e me confundo com meu próprio nome. Nanshe Nidaba Nadam Gudea Guerra.

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