26 – Luiz Camillo Ozório

Encontrei Camillo no Paço Imperial. Ele visitava a minha exposição “A redescoberta da Virgem do Alto do Moura”. Falamos brevemente. Eu o havia procurado no início dos trabalhos do Livro 2 e ele respondera que estava sonhando muito pouco. Agora, conta que justo semana passada tinha tido um sonhou tinha pensado em me mandar. começava com uma frase…

… descendo as escadas somos humanos, rolando no chão nos animalizamos. a cena misturava escadas e pessoas rolando no chão …

Acordou pensando em Duchamp, do nú descendo as escadas e da homenagem a Cara de cavalo do Hélio Oiticica (que não é o famoso “seja marginal seja herói” com outro bandido assassinado que costumam associar, mas um bólide caixa menor).  Ele gosta do sonho porque no dia seguinte ia fazer uma palestra no Centro Cultural Hélio Oiticica e faz uma relação entre o Duchamp em que a retirada do urinol do museu foi a entrada do urinol na história da arte. E a não entrada do parangolé no museu, foi a entrada do parangona na história.

25 – Raphael Fonseca

Encontro Raphael em um espaço chamado és uma maluca onde mostro algumas cerâmicas e leio tarô. Jogo tarô para ele e aproveito para contar o sonho que tive nos últimos dias com ele. e ele me responde com este sonho que teve com o irmão que faleceu em acidente de moto quando raphael tinha ainda 6 anos de idade…

… ele está jogando fliperama com os dois sobrinhos de 7 e 11 anos, filhos de seu outro irmão. na poltrona logo atrás está o irmão que faleceu faz muito anos. o irmão olha para ele enquanto joga. Depois levanta o queixo como uma famosa foto do man ray. volta a olhar para ele e estica o braço. raphael estica também o braço esquerdo e eles se tocam as mãos. sente uma energia muito forte sendo trocada.

Acorda com o braço dormente e muito agitado com a certeza que encontrou o irmão. que ele está no quarto. Sai de casa e toma um suco na esquina. Volta a casa para dormir e só acorda no meio da manhã com o braço esquerdo enrolado e passando por um furo do lençol que ele não lembrava que existia. Era véspera do dia dos namorados e Raphael associa também a vontade que tinha de ter um relacionamento estável que pouco depois encontrou.

24 – Denise Alves-Rodrigues

Denise me envia um áudio por email em que lê seu noitário

… 12 de outubro de 2014. estou passando um período em terra una em um encontro de terra ecologia, arte coisa e tal, porém ativistas políticos não são bem vindos, estava claro no convite. saio a noite para buscar alguma coisa. encontro uma mulher com uma lanterna que tenta me mostrar estrelas, mas a luz da lanterna e sua euforia ofuscam minha visão. nadam está lá, julia pombo também. os dois tem pedaço de velas que está se apagando. meu isqueiro não funciona fico desesperada…

Por eu aparecer no sonho ela escolheu esse. Depois pergunto em que circunstâncias ela teve o sonho e recebo novo áudio. Ela conta que quando sonhou isso eu estava em uma fase trabalho e muito estressada. Sentiu-se frustrada de não conseguir fazer o que queria. Tinha responsabilidade, mas o isqueiro não funcionava. E ,depois, ficou pensando que foi arrogante com a mulher com a lanterna que tinha uma ferramenta para ajudá-la, mas ela não teve paciência e preferiu fazer as coisas sozinha.

23 – Pedro Victor Brandão

Pedro teve dificuldade de escolher o sonho que queria me dar. Sentia o peso de materializar algo. Quando finalmente resolve me contar, estou montado a mesa para ler o tarô no Materializador de Sonhos na feira da Praça XV.

… ele estava ciceroneando uma pessoa muito importante. leva esta pessoa até um terraço onde um grupo de ativistas está jogando esponjas velhas de lavar louça. as esponjas parecem ser altamente perigosas. quando a polícia descobre eles precisam fugir. a pessoa que está com ele protesta e afinal eles não jogaram esponjas. mas estavam juntos e precisam fugir também. pedro guia a fuga saltando de prédio em prédio e descendo por caminhos estranhos pela cidade. só se sentem seguros quando conseguem chegar ao chão e o grupo de ativistas se dispersa…

Pedro volta comigo depois da feira. Ele queria me contar mais detalhes ou queria lembrar de mais detalhes para contar. E repete a narrativa frisando alguns detalhes. A responsabilidade de levar a pessoa importante para situações de risco, a periculosidade das esponjas, a a segurança quando chegam no chão.

22 – Domenico Lancellotti

Entrei em contato com Domenico que conta que tem dormido pouco e sem sonhos. Sua filha acaba de nascer e está acordando muito durante a noite. Uma semana depois ele me liga, que no meio de tudo isso teve um sonho que quer contar. Estou chegando de carro no Parque Lage e peço alguns minutos. Estaciono o carro para retornar a ligação.

… ele está no leme, bairro onde mora sua mãe e onde passou toda a infância e juventude. está na hora de ir embora. ele vai buscar o carro que está estacionado na praia entre o marius e a pedra do leme. só que o carro está parado não no asfalto ou no calçadão, mas na arreia fofa da praia. entra no carro e acelera bem lentamente, o carro tem dificuldade de se mover na arreia. ele avança devagar quando começam a passar motos desgovernadas em alta velocidade. as motos fazem zig-zague de maneira imprevisível. tem de tomar muito mais cuidado. acaba decidindo sair do carro e atravessar de volta ao calçadão andando. pega o carro que se tornou um animal pequeno, um cãozinho dormindo. com o carro nas mãos consegue superar os obstáculos e chegar na rua…

Ele gostou muito deste sonho porque lembra a infância, porque sente que só precisa ir com calma e cuidado. Gostou de pegar com a mão o carro, que é ele mesmo, pois quando dirige o carro é uma pele sua. Gostou de se pegar no colo a si mesmo e sentir que pode superar os obstáculos, que está conseguindo superar as dificuldades com o bebê pequeno.

 

21 – Gisele Camargo

Nos encontramos em uma abertura de exposição na Luciana Caravello como no sonho que tive com ela. E, como no sonho, eu tinha visto uma exposição com uma cama de colcha branca em outra galeria a duas quadra dali. Gisele quando me vê logo me diz “tenho de te contar o sonho”. Só se for agora, respondo.

… ala está em uma grande casa modernista. com grandes portas de vidro. a casa fica no meio de uma floresta. ela avista 3 cobras gigantes em uma árvore frondosa. ela fica atraída pelas cobras e sai na mata correndo em direção a elas. só que avista um tigre e do tigre ela tem medo. foge de volta para a casa. se deita em uma cama em um quarto nada acolhedor, grande e branco. uma cobra grande preta e vermelha entra no quarto e se aloja em um compartimento debaixo do colchão. ela também não tem medo desta cobra. relaxa e dorme…

Gisele não sabe o que significa o sonho (já perguntou para várias pessoas) mas gostou das imagens fortes.

20 – Joana Csekö

Joana me convidou para um chá. Quando cheguei no seu apartamento a chaleira com água já estava no fogo. Ela preparou o chá na xícara e me ofereceu o pode de mel para eu adoçar. Era um mel escuro e cristalizado que ela disse que veio da casa da sua avó. Contou que sua avó viveu muitos anos em uma casa de dois andares em Curitiba com limão galego no quintal. Quando já estava bastante idosa teve de se mudar para um apartamento próximo a esta casa onde viveu mais vinte anos até que faleceu com 94 anos no ano passado. O mel assim como vários detalhes do apartamento de Joana vieram desta avó.

… ela estava no apartamento avó quando descobre uma passagem que nunca havia visto. era um túnel que seu avô teria construído e que ligava este apartamento com a antiga casa da família. se parecia ao elevador de comida do árabe do largo do machado, era do tamanho justo para caber uma pessoa. se entrava em pé e quase instantaneamente o elevador descia por este túnel e chegava na casa. ela maravilhada com a descoberta e mostrou para a tia que também ficou muito contente e disse que ela que implicava com joana depois daquilo voltava a gostar da sobrinha…

Ela disse que me contava este sonho porque era alegre e curioso.

19 – Clarissa Diniz

Marquei de encontrar Clarissa no MAR. Almoçamos no restaurante do museu. Conversamos um pouco sobre a vida e ela lê rapidamente as linhas da minha mão. Um leitura inteira pode levar horas, dependendo da mão e da pessoas, mas ela faz um resumo.

Ela teve filho a pouco e diz que escolheu contar um sonho de quando estava grávida.

… ela estava com o irmão. os dois são adultos, mas ele implica como na época de criança. ela não quer brigar, mas aguenta mais e explode gritando “eu te odeio” …

Acordou chorando muito. Não quer ter de odiar alguém que ama, mas era uma força além da sua escolha.

18 – Lisette Lagnado

Encontrei Lisette na festa de encerramento de uma exposição no Parque Lage. Mostro para ela o tarô do Materializador. Leio uma das cartas para ela. Ela pede para ler uma carta para mim também.

Diz que sonha muito e que ficou com vontade de me contar este sonho:

… está na varanda de um prédio perto a grade de proteção. uma criança muito magra. é sua filha e também é ela mesma. ela percebe que a criança é tão magra que pode passar pela grade. quando realmente ela passa e vai cair, num gesto rápido, segura pelo braço a criança.

Então acorta.

17 – Sofia Soter

Marco um encontro com Sofia no Parque Lage. Espero por ela no café. Ela chega se desculpando pelo atraso, veste um vestido preto de bolinhas brancas como quando nos encontramos no sonho. Diz que tinha pensado em contar um outro sonho, mas depois aconteceu dela e a irmã terem o mesmo sonho na mesma noite. É um sonho simples, diz.

… dentro de um elevador de um hotel antigo. é amplo com espelhos de moldura dourada por todos os lados e em baixo vermelho. o elevador desce de forma descontrolada, não caindo, mas parando e descendo rápido com paradas abruptas entre os andares. não lembra se havia mais alguém no elevador. estava nervosa, mas não desesperada, pois tinha certeza que tudo daria certo no final. chega no hall amplo no térreo do hotel …

Conta que estava no carro com o pai e a irmã. O pai conta algo de um hotel onde teria ido. A irmã conta que sonhou com o elevador de um hotel e as duas vão percebendo que tiveram o mesmo sonho. A irmã consegue identificar que o o hotel é um resort de esqui.